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Autor

Tudo ao contrário

Composição de Nuno J. G. Jacinto  sobre um poema de Luísa Ducla Soares, canção premiada com o 2º lugar no 1.º Concurso de Composição de Canções para Crianças sobre Poemas Portugueses, promovido pela Associação Portuguesa de Educação Musical e apoiado pelo INATEL.

Nas palavras do compositor, "o poema de Luísa Ducla Soares pretende reportar o absurdo de um menino que queria tudo ao contrário, reportando à casmurrice que às vezes pauta em alguns dos pequeninos que conhecemos. É um retrato engraçado e apelativo à imaginação. Desta feita, a criação musical aqui proposta pretende criar num ambiente alegre e animado, um “absurdo”, através da inversão – a provocação do contrário - de vários elementos musicais que encontramos tradicionalmente na música tonal, em quadratura e na música para crianças." 

 

 

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Voz e acomp.
Acompanhamento
Pauta
Análise musical da canção

 

Características melódicas


A melodia tem um âmbito de uma oitava [Ré 3 – Ré 4]. É constituída por intervalos melódicos de 2ª (m e M), 3ª (m e M) e 4ª (P).

Não existe tonalidade propriamente definida, embora haja apontamentos modais, no modo mixolídio em sol e em lá, assim como a utilização de harmonias distantes e notas suspensas.


Características rítmicas


A melodia está escrita em compasso 5/8, com alternância de divisão entre o 3+2 e 2+3.
O ritmo é silábico, com uma estreita ligação com a prosódia do texto e quase exclusivamente escrito em colcheias, com ocasionais semínimas e semínimas pontuadas.
O andamento é moderado com indicação, na partitura, de "Animado", semínima igual a 100.


Forma

 

A canção desenvolve-se em torno de duas frases, com variações na parte final da canção. No final de cada frase musical, correpondente a cada estrofe, existe um pequeno interlúdio instrumental. A canção segue o plano formal seguinte:

 

Intro. |A |Interl. |A | Interl. |B |Interl. |B |Interl. |A' | Interl. |B´ |Coda ||


Instrumentação

 

A canção é acompanhada ao piano. 

 

No prefácio que acompanha a edição da canção, escreve o compositor Nuno Jacinto:

 

O poema de Luísa Ducla Soares pretende reportar o absurdo de um menino que queria tudo ao contrário, reportando à casmurrice que às vezes pauta em alguns dos pequeninos que conhecemos. É um retrato engraçado e apelativo à imaginação. Desta feita, a criação musical aqui proposta pretende criar num ambiente alegre e animado, um “absurdo”, através da inversão – a provocação do contrário - de vários elementos musicais que encontramos tradicionalmente na música tonal, em quadratura e na música para crianças. Assim os absurdos para contrariar são: utilização integral do compasso 5/8 em agrupamentos de 3+2 e 2+3; não existe tonalidade propriamente dita, embora haja resquícios modais (mixolídio em sol e em lá) e utilização de harmonias distantes e notas suspensas.

Na parte vocal, pretendeu-se explorar outros absurdos, como tons inteiros consequentes, glissandos, fala vs. canto, frases melódicas construídas em conjugação métrica de 3+2 e o seu contrário.

No entanto, as várias frases melódicas são similares em construção, para melhor cimentar estes absurdos nas crianças.

Desta forma, esta canção pretende ser uma ferramenta interessante e alegre no abordar compassos irregulares ou simplesmente na articulação métrica de 3 e 2.

Adicionalmente, fica ao critério do professor/ensaiador a inclusão de batimentos corporais para brincar com este fenómeno rítmico: por exemplo cc.1 a 5 podem explorar o compasso 3+2, compassos 36-37 pode explorar a articulação sucessiva de 2+2, compassos 39 a 41 pode explorar 3+2 e 2+3 sequencialmente e por aí adiante. É da minha convicção que as crianças são capazes de aprender tarefas musicais mais complexas do que muitas vezes pensamos, desde que bem orientadas.

 

 

 

 

 

 

Ficha técnica:

Cantado pelo Coro de Pequenos Cantores de Esposende - Direção de Helena Venda Lima

Gravado, misturado e masterizado por Gustavo Almeida

Ficha da canção
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Pauta
Letra

Tudo ao contrário


O menino do contra
queria tudo ao contrário:
deitava os fatos na cama...

[- Ah sim?]
e dormia no armário.

Das cascas dos ovos
fazia uma omelete,
para tomar banho
usava... [- O quê?] a retrete.

Andava, corria
de pernas para o ar,
se estava contente,
punha-se a chorar.

Molhava-se ao sol,
secava na chuva
e em cada pé
usava uma luva.

Escrevia no lápis
com um papel,
achava salgado
o sabor do mel.

No dia dos anos
teve dois presentes:
um pente com velas,
um bolo com dentes. 
 

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jogo, brincadeira, contrário, Luísa Ducla Soares, Nuno Jacinto
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